As palavras geradoras, associadas ao método Paulo Freire, foram o ponto de partida para um projeto de letramento racial desenvolvido no Complexo Social Mais Infância Padre Caetano Cristo Redentor, em Fortaleza (Ceará).
A experiência exitosa foi conduzida pela professora Maria Aline Ferreira dos Santos em uma turma do Programa Brasil Alfabetizado.
Em live no Instagram do Pacto EJA-UFPB, a docente conta que a classe é bastante heterogênea, com várias faixas etárias e níveis de alfabetização. Tudo isso permitiu uma troca rica entre os estudantes.
Maria Aline partiu de palavras geradoras como racismo e quilombo para debater a temática racial com sua turma. A partir disso, diversas atividades foram realizadas, como as rodas de conversa e o desenvolvimento de seminários em grupos.
O projeto contou com:
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Exibição de filmes que abordam a temática do racismo;
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Rodas de conversa com o uso de espelhos para o reconhecimento das características de cada um;
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Compartilhamento de experiências pessoais dos estudantes que já vivenciaram o racismo;
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Autorretratos desenhados pelos estudantes, que posteriormente foram expostos em mural na escola;
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Pesquisas na sala de informática;
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Trabalho com o gênero Receitas, estudando a culinária quilombola;
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Pesquisas e apresentações em grupo sobre a presença quilombola em estados brasileiros e sobre personalidades negras.

O projeto durou um mês, e conseguiu contemplar diversas áreas do conhecimento, desde a alfabetização até elementos de História, Geografia e Ciências. “Depois de tudo isso, os estudantes falaram que esperavam aprender apenas português e matemática na escola, e que se surpreenderam por adquirir conhecimentos de tantas áreas”, conta a professora, acrescentando que o engajamento da turma foi excelente.
“A gente aprendeu muito sobre a questão do racismo estrutural e sobre as comunidades quilombolas, que muitos não sabiam que ainda hoje estão presentes aqui no Ceará”, afirma Maria Aline.
Para os colegas, a docente deixa uma dica: estudar sempre. “Eu faço cursos e participo de grupos de estudos sobre o racismo, e ainda assim não me sinto totalmente preparada para falar sobre isso. Por isso, é muito importante que nós, professores, busquemos conhecimento sobre isso, porque é um assunto que precisa ser debatido”.

