De três ou quatro alunos às sextas-feiras até a sala cheia e engajada. Essa foi a mudança que o professor Luís Mauro Silveira Lucarelli conseguiu promover com sua turma da Educação de Jovens e Adultos (EJA) no município de Itaquaquecetuba, em São Paulo.
A conquista veio através da prática de círculos de cultura em sala de aula, experiência que foi selecionada pelo programa de formação docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no âmbito do Pacto EJA.
A ideia de fazer círculos de cultura - prática criada e popularizada pelo educador Paulo Freire - surgiu quando Luís percebeu que sua turma estava registrando muitas ausências.
“Eu percebi que os estudantes estavam pouco engajados dentro da sala de aula, principalmente às sextas-feiras. Estava tendo uma redução muito grande durante a semana, mas de sexta-feira estava ficando insustentável. Iam três ou quatro estudantes”, conta o professor.
Ele, então, criou o círculo de cultura “Palavra que Liberta”, encontros no qual os alunos discutiam diversos temas relacionados aos seus interesses. “Não foi nada no sentido de criar a roda, foi apenas no sentido de buscar as experiências dos nossos estudantes da EJA e promover esse compartilhamento de saberes”, afirma Luís.
Círculos de cultura
A experiência foi desenvolvida em uma turma multisseriada, com estudantes entre 17 e 68 anos. A cada semana, um tema gerador - escolhido pelos próprios alunos - era discutido por todos. Trabalho, família, violência contra a mulher, matemática financeira, cultura nordestina e direitos são alguns dos temas que surgiram durante a prática.
“Com os círculos de cultura, a gente consegue trazer minhas vivências, experiências e histórias dos estudantes para dentro da sala de aula”, pontua Luís.
Além da experiência cultural, a prática proporcionou também o desenvolvimento de habilidades ligadas ao currículo escolar. A partir dos temas geradores, a turma escrevia palavras no quadro, além de realizar a produção de textos.
“Ao criar um espaço verdadeiramente dialógico, percebi que a aprendizagem acontece quando o conhecimento é construído com e a partir de quem aprende”, diz o professor.
Os encontros aconteceram, inicialmente, às segundas-feiras, dia da semana com mais alunos presentes. Conforme o engajamento em torno dos círculos foi aumentando, Luís transferiu a prática para as sextas-feiras.
“No final, não faltava um. Eram 25 estudantes toda sexta-feira”, diz o docente, orgulhoso.
Saiba mais
A experiência completa desenvolvida pelo professor Luís está disponível no e-book publicado pelo Pacto EJA UFPB. Além disso, a íntegra de uma conversa com o professor está no Instagram do programa: @pactoeja.

