“Desinformação? Tô fora!”. Esse é o recado que a turma de EJA II da EM Prof. Terezinha Ferreira Parente, em Fortaleza (CE), passa em uma campanha divulgada nas redes sociais.
O vídeo é a culminância de um projeto desenvolvido pela professora Elisângela Passos. A ideia do tema surgiu a partir de uma escuta ativa com os estudantes. “Quando a gente conversava, os alunos falavam muito sobre essa questão dos golpes. Alguns já tinham caído nessas fraudes”, lembra a professora.
Ela decidiu, então, promover uma série de oficinas a respeito do tema. Primeiro, a professora trabalhou o conceito da desinformação, mais amplo do que o que os alunos conheciam por fake news. Depois, trabalhou os indícios comumente presentes nas informações falsas, assim como as formas de checagem.

Em oficina de checagem, grupos analisam sinais de desinformação em textos, assim como conferem informações. Foto: Arquivo pessoal/Elisângela Passos.
Elisângela conta que, durante todo o projeto, se atentou bastante ao contexto da turma para planejar as atividades. “Eu tenho vários níveis de leitura dentro da turma. Então, trabalhamos a desinformação para além das notícias, usando vídeos, áudios e charges, por exemplo”, comenta a docente.
Além disso, o projeto focou no tipo de material com o qual os estudantes comumente têm contato. Na turma de Elisângela, os alunos acessam bastante redes sociais como TikTok, Instagram e Kwai. Então, a desinformação presente em vídeos curtos foi bastante abordada.
Elisângela conta que uma dificuldade encontrada foi o acesso às agências de checagem de fatos, por conta dos diferentes níveis de leitura da turma. “A solução foi utilizarmos bastante o Google. Quem tem uma certa fluência digitava a pergunta, quem não tem perguntava por áudio. Foi uma forma simples de checarmos as informações, mas quero trabalhar mais o tema da checagem em novas oficinas”, conta a professora.
Para além dos muros da escola
Os ensinamentos adquiridos em sala de aula ultrapassaram os muros da escola com o vídeo produzido pela turma, que foi divulgado para amigos e familiares. “A gente tinha pensado em fazer um folder, mas a gente pensou que eles convivem com muitas pessoas com dificuldade nesse processo de leitura. Então, o vídeo seria um recurso muito mais acessível para eles divulgarem”, afirma Elisângela.
Para além da divulgação do vídeo, a professora conta que percebeu os alunos colocando os conceitos em prática - e, inclusive, conscientizando outras pessoas no dia a dia. “Teve aluno me dizendo: ‘Professora, a minha irmã fica mandando direto desinformação para mim e eu digo para ela checar’. Então, eu vi que o conhecimento não ficou só no contexto da escola”, afirma Elisângela.

