A empresa fictícia “Delícias de Penedo” foi o resultado de uma oficina de empreendedorismo realizada com os alunos da EJA da Escola Josef Bergmann, na cidade alagoana de Penedo. Durante o projeto, desenvolvido pelo professor Ataniel da Silva Santos, os estudantes puderam desenvolver diversas habilidades, aprendendo todos os passos da criação de um novo negócio.
A experiência foi uma das selecionadas pelo programa de formação docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no âmbito do Pacto EJA.
Protagonismo social
A turma de Ataniel é composta por diversos empreendedores, que atuam, sobretudo, com o artesanato. Com isso em mente, o professor propôs uma oficina de empreendedorismo, na qual os saberes prévios dos estudantes foram colocados em destaque.
“O objetivo foi conectar o conhecimento escolar à realidade vivida pelos educandos”, resume o professor.
Durante o projeto, os alunos foram estimulados a aprenderem sobre o empreendedorismo na prática, criando juntos um novo negócio. As etapas foram desde a pesquisa de mercado até a venda do produto final, passando pelo planejamento, construção de plano de negócios, produção de doces caseiros e a criação de estratégias de marketing.

Doces foram preparados pelas alunas dentro da escola. Foto: Arquivo pessoal.
Ataniel conta que a turma foi dividida em grupos, que atuaram nas diferentes frentes do novo negócio. “A proposta permitiu que os alunos aprendessem de forma prática como funciona a criação, planejamento e gestão de um pequeno negócio, aplicando os conhecimentos adquiridos em sala de aula”, afirma o professor.
Além de desenvolverem habilidades de trabalho em equipe, criatividade e organização, a atividade com o empreendedorismo também permitiu que os alunos tivessem contato com conteúdos curriculares, como Matemática (educação financeira e medidas culinárias) e Língua Portuguesa (gênero textual receita).
“A criação da empresa de doces caseiros permitiu que os estudantes compreendessem, de forma integrada e contextualizada, conteúdos das diversas áreas do conhecimento, aplicando-os à realidade local”, defende Ataniel.
Para ele, porém, o principal foi o aumento do engajamento dos estudantes, que tiveram seus saberes prévios valorizados, se tornando verdadeiros protagonistas do processo de ensino e aprendizagem.
“A vivência empreendedora despertou o sentimento de protagonismo e autoconfiança, mostrando que é possível transformar uma ideia simples em uma fonte de renda, especialmente quando se utiliza a cultura local e os talentos individuais como base”, diz Ataniel.
“Mais do que ensinar a abrir uma empresa, o projeto buscou formar sujeitos críticos, criativos e capazes de atuar na sociedade de forma ativa e consciente, promovendo a inclusão, a autonomia e a dignidade por meio da educação”, completa.
Saiba mais
A experiência desenvolvida pelo educador Ataniel foi exposta em transmissão ao vivo na conta do Instagram do programa de formação da UFPB no âmbito do Pacto EJA, e pode ser conferida na íntegra no perfil @pactoeja.

