Na EMEIEF Carolina Maria de Jesus, em Santo André (SP), os alunos da EJA se tornaram verdadeiras estrelas ao escreverem um livro sobre as histórias de suas vidas, com direito a noite de autógrafos.
A obra, chamada “Minha história dava um livro”, foi fruto de uma atividade organizada pelo professor Francisco de Assis Carvalho em 2023. A experiência foi uma das selecionadas pelo programa de formação docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no âmbito do Pacto EJA.
Alfabetização e engajamento
Francisco conta que o projeto engajou a turma, que ficou empolgada em contar suas histórias de vida. Cada estudante teve a oportunidade de relatar casos importantes da trajetória, seja de forma oral ou escrita.
Como a classe tinha alunos em diversos níveis de alfabetização, alguns escreviam os próprios relatos, enquanto outros os contavam oralmente, contando com a ajuda da turma para organizar coletivamente os textos. Toda a revisão também foi feita em sala de aula. “É um rico material para a gente trabalhar as habilidades de leitura e escrita”, comenta o professor.
Além do aprendizado, Francisco afirma que o projeto - que durou um semestre todo - também serviu para melhorar o engajamento da turma, que se envolveu com as histórias contadas.
“As histórias deles são fantásticas, de muita superação. São pessoas que construíram suas vidas apesar de todo o processo de exclusão que sofreram, apesar de estarem alheios ao sistema de escrita”, afirma o professor, orgulhoso.
Francisco conta que ele e outros funcionários da escola também escreveram suas histórias, o que gerou uma aproximação entre docente, equipe escolar e alunos.
Após as histórias de todos serem escritas e revisadas, o livro foi diagramado, contando com uma capa desenhada por um dos alunos da turma, o Geovaldo - ou Juninho, como é chamado pelos colegas. “Ele tem Síndrome de Down e, durante as aulas, após as atividades que lhe eram propostas, ele fazia desenhos com pessoinhas. Eu e a turma achamos que seria perfeito para a proposta do livro, que era contar histórias das pessoas que faziam parte da turma e da escola”, conta Francisco.

Capa foi desenhada por aluno da turma. Foto: Cilene Máximo Alberto Brasil
Com o livro pronto, a turma participou de uma noite de autógrafos. “Todo mundo autografou o livro de todo mundo. Foi muito legal porque as estrelas eram eles, os autores eram eles. E isso não há o que pague. Eles amaram”, diz Francisco.
Saiba mais
A experiência desenvolvida pelo educador Francisco foi exposta em transmissão ao vivo na conta do Instagram do programa de formação da UFPB no âmbito do Pacto EJA, e pode ser conferida na íntegra no perfil @pactoeja.

